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quarta-feira, novembro 22

PenFriends



17 de Maio de 1996, nesta segunda metade da década de 90, o telemóvel e a internet ainda eram equipamentos demasiado especiais para qualquer teenager, ainda assim, com canetas e papel bastante desenvolvido, topo de gama da época, nada nos impedia de comunicar com o mundo, através dos famosos PenFriends...
Esta foi a minha primeira carta recebida de alguém que durante dois anos me foi especial, apesar de nunca nos termos conhecido pessoalmente, chamava-se Myoung-Ah Choi e era Coreana, ela tinha 18 anos e eu 17...
Onde quer que estejas, que sejas muito feliz!!!

terça-feira, outubro 17

Timor - no país das maravilhas


Timor é isto mesmo, uma criança inocente e feliz, não pela t´shirt Adidas mas porque vive numa cabana de pedra e bambú...
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Vou contar umas histórias que tive a felicidade de presenciar neste país das maravilhas, situações que, para mim, habituado a uma cultura ocidental e tecnológica, me provocaram sentimentos tão estranhos e insólitos como surpreendentes e fascinantes...
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Efeito "balança"
Mais uma manhã de trabalho, hoje ficamos por Dili a preparar equipamentos no armazém, mas antes eu e o Monteiro (G.I.Joe) tivemos de passar pelas únicas bombas de combustível existentes no país, eu vou no banco do pendura e estou um bocado ensonado, o Monteiro sai para atestar o Jipe quando deparamos com um senhor já de idade dirigir-se para a bomba da frente, montado num burro, yha, num burro!!! Estanciona o burro ao lado da bomba e puxa a mangueira... que será que está para acontecer que eu não estou a perceber bem o que se passa ali à frente, pensei eu, mas o burro trazia uma bolsa de cada lado e numa das bolsas trazia dois jarricanos de 20 litros onde o senhor ía depositar o combustível. Enchidos os jarricanos o senhor paga e vai embora, mas uns 50 metros volvidos, como o peso ía todo só de um lado começou a escorregar, o senhor pára o burro, ajustou de novo as bolsas, como estas são uma de cada lado e ligadas por umas correias, então havia que compensar o peso da bolsa vazia para aquela que trazia os dois jarricanos não escorregar, e vai de meter pedras...
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A lei incompleta
Um dos maiores problemas que um condutor forasteiro encontra por toda a Ilha é, sem dúvida, os animais que se encontram na estrada, uns deitados, outros que se atravessam no momento em que vamos a passar, outros que nos fazem frente, os galos por exemplo, são quase todos galos de combate e quando estão na estrada e vêem o jipe de encontro a eles ainda fazem peito, temos mesmo de nos desviar porque eles são mesmo determinados ao confronto físico. Todos os animais nos podem trazer graves problemas, se são pequenos e não provocam danos no jipe, aparecem sempre logo à frente várias pessoas a reclamar o valor do animal que matámos, e nestas situações o animal tem muitos donos, mais vale pagar, acreditem, ou o animal é um búfalo e nós é que somos atropelados. Mas existem muitos outros, cabras, ovelhas, vacas, animais esses que são particulares, para não criar estes incomodos, tanto para os proprietários como para os condutores, o governo decretou uma lei em que todas as pessoas que possuem animais devem amarrá-los com uma corda... Até aqui tudo bem, começamos a ver os animais amarrados a uma corda, mas sabem que mais? Uns estavam amarrados a uma ponta da corda mas a outra ponta não estava amarrada a lado nenhum, outros interpretaram melhor a lei mas ainda assim insuficiente, amarraram os animais a uma ponta da corda e a outra ponta às árvores, mas o cumprimento da corda permitia que os animais atravessassem a estrada livremente, criando agora um novo problema para outro tipo de condutores, os motociclistas...
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"A mim não me enganas"
É prática comum os miúdos em Dili andarem a vender o que quer que seja, incluíndo uns cartões de carregamento de telemóvel, passo a explicar, o saldo do telemóvel é carregado da seguinte forma, vamos a uma loja e compramos um cartão de carregamento, pode custar 10, 15 , 20, 25 e 50 dólares, esse cartão contém um código que temos de raspar, escrevemos uma mensagem com esse código e enviamos para um número grátis da Timor Telecom, eles processam o código e fazem o carregamento com o valor do cartão que comprámos. Estavamos a jantar numa esplanada e apareceu um rufia com vários cartões de 15 dólares e pergunta se quero comprar um, eu precisava e naquela de negociar perguntei por quanto me vendia dois cartões, o míudo respodeu que dois era promoção, 30 dólares, o engraçadinho deve tar a gozar comigo, pensei eu, então perguntei-lhe quanto custavam os cinco cartões que ele tinha na mão, que eu ficava com todos... O míudo pára a olhar pra mim, mete o dedo indicador no lábio, olha para cima como quem está a fazer contas, e depois dos cálculos que fez responde-me assim: cinco cartões não vendo...

quarta-feira, junho 14

Garage


Coisas como " smells like teen spirit, we care a lot, fear of the dark, walk " e outras mais , fizeram uma geração virada para uma das maiores revoluções musicais de todos os tempos, não em relação a interpretes ou a vedetas, a compositores, a grupos ou a movimentos, mas sim a um estado de espirito de toda uma geração, que nunca foi tão distante de outras anteriores, como de outras seguintes, mas não foi só a música a marca da geração dos nineteens, a enorme diferença de estilos e o espirito festivo também deram um enorme contributo para apelidar esta geração como " Rasca".
Mas... não é de confrontos geracionais que quero falar, quero mesmo falar das nossas festas de garagem, das nossas passagens de ano, dos nossos movimentos musicais, das nossas actividades e de tudo aquilo que tive a felicidade de acompanhar com muitos amigos, uns conhecidos e outros que nem conhecia de lado nenhum, mas sempre foram todos bem vindos...
Festas de garagem - muitos passaram pelas nossas festas de garagem, umas feitas na minha, outras na garagem do Pato, muitas experiências interessantes, as primeiras bebedeiras e os primeiros vómitos, umas ganzitas à mistura, mas só alguns fumavam ( para não ferir susceptibilidades ), ver se havia alguma possibilidade de curtir com alguma miuda, grandes mosh´s pelo meio, chegou-se a beber oleo e outras bebidas não bebíveis, chegou-se mesmo a formar um clube para angariar fundos para fazer festas, o Live Club...
Quem não se lembra dos mediáticos Suck Heads, ou dos inconfundíveis Death Power? antes também existiu um grupo chamado M. Guerra, uma banda que terminou tragicamente porque um dia fechei o Pato e o CáCá dentro da garagem de ensaio, nesta banda também lá passou o Fina, o Nuno, entre outros ilustres músicos, tudo pessoal formado na Sociedade Escola de Música de Ota, que hoje já não existe, é pena, apesar de não a sentir...
Também certamente poucos se esqueceram dos concertos do Ota Club, do famosíssimo 10 de junho no Centro Social, com cerca de 20 bandas, das passagens de ano na casa do rodas, ou na garagem do Sandro, no Centro Social, ou a tenda do campo de futebol...
Jogavamos futebol nos olhos de água, andavamos de skate na kota ( vale cavalos ), e fazíamos down hill no barrunho, íamos mandar mergulhos da torre da barragem ou no fundão, corríamos as festas da zona quase todas, a pé, roubavamos as namoradas uns aos outros, andavamos à pancada e fazíamos pactos de sangue, no fim, o Xana chateava-se e dizia que ía pa frança :)
não, no fim tudo acabava bem...

tenho de parar senão escrevo uma nova bíblia.

cenas do próximo capítulo:
Festa de Ota, vamos ajudar, mas...